segunda-feira, 16 de março de 2015

CHECKLIST DE COISAS PARA FAZER ANTES DE IR A UM PROTESTO:



  1. separar a bandeira do Brasil, do RS e do meu partido político;
  2. levar a máscara do V;
  3. colocar a camiseta do Che Guevara;
  4. pintar a cara de verde e amarelo;
  5. levar a câmera para depois colocar nas fotos no Facebook e Instagram;
  6. devolver o troco que fiquei a mais do mercado;
  7. parar de matar aula e colocar a Educação sempre em último lugar;
  8. parar de chegar atrasado no trabalho e na escola;
  9. aprender a dar o lugar para os mais velhos em transporte coletivo;
  10. economizar água e energia elétrica;
  11. usar um pouco da energia que gasto torcendo pelo futebol em atividades para meu crescimento profissional;
  12. investir mais tempo em leitura de jornais e livros;
  13. parar de gastar todo meu dinheiro em festa;
  14. parar de ter pena de gastar algum dinheiro em livros e cursos;
  15. ver nos estudos e trabalho oportunidade de me fazer um cidadão melhor;
  16. respeitar os outros em suas diferenças e crenças;
  17. parar de dar um jeitinho em tudo para não cumprir prazos;
  18. pagar as contas em dia para quem recebe poder pagar as suas contas também;
  19. doar roupas que estão me sobrando;
  20. doar alguns livros que podem tornar alguém um novo leitor;
  21. ligar o sinal de pisca toda vez que mudar de rota no trânsito;
  22. tentar ser exemplo para colegas de trabalho, filhos, sobrinhos, alunos e familiares;
  23. parar de ouvir música que banaliza o sexo;
  24. parar de achar que é bonito ser burro;
  25. parar de achar graça de tudo e fazer piada de tudo;
  26. frequentar uma religião APENAS se ela me faz um sujeito melhor dentro da sociedade e não um chato que não respeita e não ouve ninguém;
  27. respeitar patrimônios públicos como escolas, praças, hospitais e museus e cuidar para que não os vandalizem;
  28. não jogar lixo na rua;
  29. não andar de carro sem necessidade;
  30. não dirigir em altas velocidades;
  31. não deitar o banco todo para trás no ônibus;
  32. não comer frituras e salgadinhos dentro do ônibus;
  33. não ficar no celular o tempo todo;
  34. não falar alto no celular;
  35. não falar alto em lugares públicos;
  36. não ouvir música alta de noite sem se preocupar se os vizinhos estão sendo incomodados;
  37. não beber em excesso;
  38. não comprar atestado médico para burlar o trabalho;
  39. não fazer fofoca;
  40. aprender a reclamar quando vejo coisas erradas;
  41. não julgar os outros;
  42. não se interessar com o que os outros fazem com suas genitálias, onde elas vão ou deixam de ir;
  43. não vender voto;
  44. não comprar voto;
  45. não tentar burlar regras;
  46. não achar que carro, som e futebol são as coisas mais importantes do mundo;
  47. ajudar alguma ONG ou instituições de trabalho social;
  48. não ser feliz apenas em festa ou finais de semana;
  49. não falar mal da segunda-feira;
  50. não achar que corpo sarado é a coisa mais importante da vida;
  51. passar menos tempo vendo coisa inútil na TV e a na internet;
  52. parar de comer até passar mal e tentar cuidar um pouco mais da saúde;
  53. não chegar no trabalho e na escola como quem está morrendo;
  54. votar com responsabilidade;
  55. fiscalizar o trabalho de quem eu elegi;
  56. não ouvir som alto no carro, pois  os outros não são obrigados a ouvir a mesma música que eu;
  57. para de ver na política oportunidade para ganhar a vida facilmente;
  58. escrever minhas exigências em cartazes;
  59. conferir a ortografia de meus cartazes;
  60. ir ao protesto.


segunda-feira, 9 de março de 2015

EMPRESA E FUNCIONÁRIO EM SINTONIA



EMPRESA E FUNCIONÁRIO EM SINTONIA
Por trabalhar há alguns anos com educação profissional, com certa frequência empresas me procuram para pedir indicações de alunos para vagas de emprego. Numa dessas uma empresária ligou e explicou que procurava “uma menina que fosse pontual, disposta, atenciosa, que atendesse bem e que tivesse um sorriso muito bonito!”. Não consegui segurar o riso e brinquei com ela dizendo que se tivéssemos alguma candidata assim já teríamos a contratado. A empresa está errada em querer um profissional com qualidades pessoais? Claro que não. Só que às vezes algumas delas esquecem seu papel de treinar os profissionais que estão chegando ou apenas deixar claro o que ela, a empresa, espera deles, pois muitos vêm de um sistema escolar fraco ou com falta de orientação familiar que os levam a cometer as piores gafes no local de trabalho. Os empresários devem lembrar que nem sempre vão encontrar profissionais prontos, vale investir algumas horas nessa galera nova.

O FUNCIONÁRIO TAMBÉM DEVE FAZER A PARTE DELE…
Numa ocasião visitei uma empresa da cidade na tentativa de vender uns ingressos de uma palestra. O proprietário deu a entender que estava perdendo o meu tempo já que seus colaboradores não  vão a coisas desse tipo nem quando é de graça. Se fosse uma palestra  dessas que fazem o público dançar e gritar “RÁ!” eu entenderia, mas não. Era de alguém que já tinha conquistado bons resultados e vinha compartilhar um pouco de sua experiência envolvendo o mercado de trabalho, inovação e evolução profissional. Momentos como esse não são apenas para a cidade ter melhores atendentes e colegas que tornam o ambiente de trabalho mais agradável. São oportunidades para profissionais serem melhores, crescer e consequentemente poder chegar até a  tão esperada vida melhor que todos almejamos para dar orgulho a nossos pais e filhos.Se isso não serve de motivação para o cara investir algumas horas em leitura, cursos e palestras, o que vai ser? Está na cultura do povo brasileiro ser medíocre.

A PRAÇA (DES)ENCANTADA
Há alguns meses lembro de ter lido em um jornal local um questionamento sobre o paradeiro da pracinha que foi contruída e depois retirada lá da esquina do Bradesco. E aí, já descobriram onde ela foi parar?

REDE POVO VERSUS DILMA
Há algum tempo recomendei para algumas pessoas procurarem na internet o programa Rede Povo que integrava a campanha a presidência da república do Lula em 89. Ao ouvir as falas do companheiro do PT a gente não sabe se ri, se chora, ou se vai investigar se o verdadeiro Lula não foi substituído por um clone ou um ET de direita.
Já a Dilma, não precisa ir tão longe não. É só assistir a campanha eleitoral do ano passado.

terça-feira, 3 de março de 2015

UMA REVOLUÇÃO POSSÍVEL


Luiz Carlos Prates, repórter que já foi da RBS e hoje é do SBT Santa Catarina, constantemente criticado pelas suas opiniões duras ao povo brasileiro, propõe com frequência em suas falas uma revolução chamada Revolução Cultural. Apesar de nem sempre concordar com outras idéias do repórter, quanto a isso ele está coberto de razão. A proposta dessa revolução é muito simples: se cada brasileiro se disciplinar a ler pelo menos um jornal por dia “em dois anos o leitor será um novo indivíduo” ou seja  esse brasileiro terá ampliado sua consciência crítica, saberá onde está  situado no mundo e principalmente terá uma memória melhorada quanto aos políticos que governam esse país.  Apesar de sua obviedade é algo que vejo que as pessoas, tanto jovens quanto adultos, estão fazendo cada vez menos, uns por falta de interesse e outros por falta de tempo mesmo. Na nossa cidade contamos apenas com as edições semanais, mas existem uma série de outros jornais que circulam pelo estado que já são um bom início. Uma opção de assinatura impressa e barata é o Correio do Povo, mas quem ainda não quer gastar nada há por exemplo a versão online do jornal O Sul que é completamente gratuita ou até mesmo buscar pela infinidade de sites de notícias na web. Apesar que às vezes as pessoas gastam dinheiro com tanta coisa que trocar alguma delas pela assinatura de um jornal é um belo negócio.

TROCA DE LIVROS NO SENAC CAMAQUÃ
Falando em leitura, ainda está acontecendo no Senac da rua Manoel da Silva Pacheco 422 a campanha “Eu me livro” que consiste numa caixa que armazena livros que podem ser trocados. Deu uma olhada e ficou interessado por algum deles? É só levar desde que deixe outro no local. Os livros devem estar em bom estado e não são aceitos manuais didáticos escolares, enciclopédias ou dicionários. Quem ainda  tem livros em casa sobrando e que não vai mais ler e quiser contribuir com doações elas são muito bem-vindas.


O BONSENSÔMETRO OU O EDUCÔMETRO
Costumo dizer que a melhor forma de medir a educação e o bom senso de alguém é observar essa pessoa em duas ocasiões: no ônibus e no trânsito. É claro existem muitas outras, mas essas duas pra mim são as campeãs. Você senta no ônibus e deita o banco todo para trás? Faz uma refeição de salgadinhos e frituras fedorentas? Fala alto com outras pessoas e no celular? Não cuida se vai bater nas pessoas na hora de descer ou de ir ao banheiro? Parabéns! medidor lá embaixo. Pelo simples motivo: você não está nem aí pra ninguém e acha que todo mundo lhe deve alguma coisa que você não retribui a elas: EDUCAÇÃO. E o trânsito? Ah… o trânsito… chega a ser desanimador… Gostaria de fazer as seguintes perguntas para alguns motoristas: Qual a dificuldade em dar o sinal de pisca? Em uma cidade relativamente pequena como Camaquã por que tanta resistência às mudanças no trânsito (já que elas visam tentativas de melhorias)? Você sabia que ao simplesmente parar no meio da rua,  o fato de ligar o pisca alerta não resolve o problema? Você sabia que existem lugares específicos para estacionar carro e moto? Pois é… basta dar uma volta ali no centro para o Educômetro dos motoristas ir para um valor negativo. Mas fazer o que? O que podemos esperar de uma geração educada à “funk” e “velozes e furiosos”?

CAMAQUÃ MAIS UMA VEZ NA GRANDE MÍDIA
Já que Camaquã voltou aos noticiários da TV como não acontecia desde a enchente do natal de 1998, esperamos que com todo o barulho e pauleira ocorrida, aconteçam de fato mudanças pra melhor, não é?

GREVES E GREVES
Algo muito bem colocado por alguns de meus colegas de profissão foi a  discussão que compara o suporte da sociedade à greve dos caminhoneiros com as já realizadas pelos professores. Claro, Educação pode faltar, o que não pode é faltar gasolina nas carangas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A fase Paulo Coelho e o autógrafo



Há alguns dias ao assistir ao longa brasileiro “Não Pare na Pista”, lembrei que também tive a minha fase de leitura dos livros do Paulo Coelho. Não durou tempo suficiente para ler todos, mas passei algum tempo pegando emprestado e tirando na biblioteca alguns deles. O primeiro que li foi o “Veronika Decide Morrer” de 1998. Me ganhou pelo suspense e mais tarde pelo final surpreendente. Não sei se hoje, uns 10 anos depois ainda seria, mas partindo daí segui uma sequência que lembro com carinho como a fase da descoberta dos livros literários. Havia quase que um sabor de proibido porque os professores falavam mal e as igrejas “recomendavam não ler essas coisas esotéricas.” – na verdade até gostaria de saber quantos padres ou pastores chegaram a passar os olhos na orelha de uma edição do mago para poder achar alguma coisa.

Depois veio “Brida”, lançado em 1990, que me possibilitou ver que espiritualidade deve ser algo mais individual, cada um na sua busca e não por imposição dos outros. É provável que a narrativa nem trate disso, mas foi a leitura feita por mim na época.

Aí com o “O Alquimista”(1988), veio um banho de água fria. O título mais vendido do autor foi pra mim o mais sem graça e com final previsível como filmezinho de aventura Hollywoodiano. No entanto, não desisti. Encontrei “Na Margem do Rio Pietra Sentei e Chorei” (1994) o qual a melhor parte é o título para depois dar um salto para o lançamento daquele ano de 2006, “A Bruxa de Portobello”. Estilo epistolar com uma boa história, mas ainda muito distante do “Diário de Um Mago” de 87, que narra o trajeto de Coelho no caminho de Santiago de Compostela. Classificaria esse como o segundo melhor que li. Gostei dele. Talvez a história contada como um relato real e as receitas de rituais místicos tenham sido um estímulo sobre a busca pelo desconhecido.

Então minha despedida foi com “As Valkírias” (1992) quando a curiosidade sobre  a história da busca pelo anjo da guarda e sobre o pacto que ele e Raul tinham me levou a conclusão. Diferentemente de “Maktub”(1994) que devolvi sem ler.
Algo curioso sobre Paulo Coelho era o link do seu site “como faço para conseguir um autógrafo” que permitia um cadastro de seus leitores. Feito isso, uns dois meses depois recebi em casa um cartão com meu nome e uma mensagem assinada por ele. Óbvio que ele deveria ter uma pilha de cartões feitos por alguma secretária que os passava para apenar assinar. Mesmo assim, achei isso um ato de grande consideração com fãs e leitores. De qualquer forma ele tirava por mês ou por semana alguns minutos os autografando. Quão acessíveis hoje são alguns escritores ou blogueiros muito menos conhecidos?

 “Professor, o que o senhor acha do Paulo Coelho?” – Era a velha pergunta que assombrava as aulas de literatura nos cursos de Letras. Eram discussões sem fim. Hoje sem muita delonga eu responderia que o acesso a sua linguagem e aos livros é fácil. O sujeito vai a uma biblioteca pública ou a um sebo e encontra fileiras completas com as obras do companheiro do Raulzito.  Sobre ler ou não ler, pra mim o que importa é ler na tentativa de ter prazer com os livros e buscar ser um leitor cada vez melhor. Quem algum dia chegar aos clássicos, melhor ainda. O que não dá é ficar sem ler nada ou ficar falando mal dele à toa. Até porque ele já está com a vida feita e rico escrevendo o que gosta e não vai fazer diferença nenhuma o que os outros acham.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Nas eleições de 2014, quem ganhou foi o MEDO


O povo, ora chamado de povão, ora chamado de pobres, teve MEDO de perder bolsa família e o bolsa escola. Aliás, falando em escola, nesse mês que passou, os candidatos passaram a amar a Educação como nunca. Todo mundo a defendia. Mesmo aqueles que  trazem consigo raras horas de uma sala de aula. Mas isso é para uma outra conversa. O brasileiro ficou com MEDO de não ter mais o crédito para comprar a moto e o carro com som, já que é disso que ele precisa. Outros em menor quantidade,  em defesa de uma causa mais nobre, ficaram com MEDO de não ter mais como estudar em faculdade privada de graça. Todos os envolvidos com o Pronatec, como instituições, professores, alunos e qualquer outro tipo de funcionário ligado a esta atividade teve MEDO de o programa não ter continuidade e ficar sem o emprego, as capacitações profissionais e a ajuda de custo na hora de estudar. Já para outros, há a defesa ferrenha de que a coisa anda ruim. Sim, muito ruim mesmo. Mas houve o MEDO de que ela piorasse. É melhor deixar o ruim que divide o que come do que aquele candidato com cara de dono de empresa que pode deixar a galera sem migalha nenhuma. Afinal, nós que estudamos a vida toda em escola pública nos criamos ouvindo das professoras de sininho na mão e dos professores barbudos que os caras lá do outro partido, os da direita são o inimigo, algo como filiais dos Estados Unidos no Brasil. Alguns desses ainda vivem com o discurso enxovalhado dos comunistas e outros ainda defendem o partido da estrela como se ele não tivesse mudado, mas apenas se atualizado mesmo que com pontos de incoerência com o Lula de 89, aquele da Rede Povo que andava bastante pelo Brasil. É isso. Ficamos todos com muito MEDO apesar de os concorrentes afirmarem o tempo todo que dariam continuidade aos trabalhos do PT  que fizeram ele diferente dos outros. Azar de quem não teve tais ideias primeiro e as colocassem em prática em grande escala. As eleições acabaram e o negócio  agora é ficar de olho e torcer apesar do MEDO que não tem sido vitorioso apenas nas eleições.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Dia Mundial do Silêncio



Hoje pela manhã ouvi um belíssimo comentário do Alexandre Garcia sobre o dia mundial do silêncio. Dizem que o bom texto é aquele que gostaríamos de ter escrito. Foi o que encontrei nas palavras do famoso jornalista. Há tempos tinha em mente escrever algo sobre o assunto, este que é um incômodo para muitos e um prazer para raros.
Um incômodo porque foram criados na barulheira formada pelas pessoas que berram e os aparelhos ligados em altos volumes como fones, TVs e aparelhos de som. Faça um teste quando puder. Peça um minuto de silêncio em uma plateia ou sala de aula. Grande parte das pessoas não sabem como se comportar. Ficam totalmente desconcertadas sem saber para onde olhar ou colocar as mãos. O engraçado é que talvez algumas delas não foram nunca apresentadas à voz dos próprios pensamentos.
Como não se identificar com o comentário do repórter ao dizer que hoje as músicas ambientes não são ambientes. Elas impedem as pessoas de conversarem entre si as fazendo gritar para serem ouvidas. Quando os bares anunciam música ambiente de um lado vou para outro. Sem falar péssima qualidade das músicas. Mas isso é para outra oportunidade...
E os manos que passam com o carro tremendo de tão alto a poluição sonora que portam? Quando leis proibirão esses acéfalos e futuros surdos de circularem perturbando espaços urbanos e até mesmo escolas?

Alexandre Garcia concluiu que pelos países desenvolvidos que viu pelo mundo (e imagino que ele não tenha viajado pouco!) quanto maior o desenvolvimento maior era a limpeza das cidades e o silêncio que nelas existiam. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A vida está valendo nada.

É isso. não valemos mais nada. Quanto maior a cidade menos valor temos. Somos só mais um na rua, no ônibus, no trânsito, sendo um incômodo para os outros. As escolas e igrejas falharam em seus ensinamentos porque nosso valor mesmo é medido pelo que temos. Quanto melhor o carro e as roupas mais somos respeitados. O importante é ser rico e bonito. Quem é rico, naturalmente fica bonito. Quem é bonito tem que usar a beleza enquanto a tem para conseguir ficar rico. Pronto. 

Os noticiários estão aí para comprovar. A vida vale apenas uma notícia de 1 minuto ou 2. Quanto pior for a morte mais vale a notícia. Se for mortezinha, talvez mereçamos uma chamada de 30 segundos, que por ironia, é o mesma quantidade de tempo de um anúncio comercial. Os animais se tornaram mais dignos de comoção. Jovens brincam com armas e morrem. Outros brincam de Pica-Pau nas Cataratas do Niágara e perdem suas vidas em sangas e açudes enquanto os pais estão olhando para outro lado.

Com as famílias cada vez menores é assim. Temos valor para poucas pessoas: pais, irmãos e  cônjuges.

Assim a vida segue. Sobrevivemos numa guerra do cada um por si. 

Resta saber se nos educaram a ter a atenção prendida apenas pelas desgraças ou se algum noticiário que desse apenas boas novas teria alguma audiência além dos 3 minutos de intervalos comerciais.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um cafezinho comigo



Tem feito um calorão por aí? Sim, sim, aqui também! Parou de beber café por causa disso? É verdade, passamos a tomar um pouco menos, sim, é verdade. Mas bastam os primeiros ventos que acompanham essas chuvaradas que andam caindo por aqui que ele vai para as xícaras e canecas novamente.

Estes cafezinhos que vou servir por aqui serão tentativas, experiências de laboratório, esboços para aquilo que talvez algum dia possam ser consideradas crônicas. Entre um gole e outro, como em um papo entre amigos (ou inimigos!) de cafeteria (ou de bar se assim você achar melhor), vamos conversar sobre a cidade, o estado, o país. Vou arriscar também algumas opiniões sobre Educação, já que estou comemorando meu décimo aniversário neste ano como professor de língua Inglesa, palestrante e orientador profissional. Portanto, já vi algumas coisas que merecem ser analisadas e compartilhadas. Ainda com um pouco mais de ousadia vou opinar (os críticos de verdade que me perdoem!) sobre Cultura, com certa ênfase em TV, cinema, música e livros. Embora nem tudo isso que anda por aí possa ser chamada de TV, cinema, música (talvez a mais sofrida) e livros.

Resolvi retomar esse trabalho, embora o blog Cafezinho com Anderson Borba já exista há um bom tempo, porque tenho visto tanta gente falando asneiras (os asnos que os perdoem!) com microfone na mão, câmera na cara ou teclado nos dedos sendo aplaudida de pé. O meu café não sempre amargo como alguém possa vir a pensar, ele recebe um pouco de açúcar, sim, sim. É que carrego comigo um incômodo, algo que não sei explicar bem, ao ver que as coisas podem ser melhor e de ver que muita gente talvez não saiba ou nunca se deu a oportunidade de questionar, rever, discutir a si mesmo e a sociedade em que vive.

O bom é que conheço várias pessoas que são assim também. Incomodadas. Talvez em oposição às acomodadas. Talvez tenhamos nascido com isso. Já que, afinal de contas, praticamente assistimos os mesmos programas na infância, jogamos mais ou menos os mesmos vídeo games e tivemos quase os mesmos professores na escola. Está no DNA, só pode. Talvez às vezes erremos em querer mudar os outros, sim, sim, isso pode ser um erro. Apenas somos aqueles que temos um compromisso com a verdade. Ou quem sabe aqueles que se converteram a alguma religião e de tão feliz querem converter todos os outros a ela. Talvez seja isso, descobrimos um jeito diferente de ver a vida e queremos emprestar os óculos para as pessoas que gostamos.

Vai outro café?


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

o vento

retornava para casa de madrugada. as ruas estavam mudas e apenas  seus passos ecoavam em dupla desencontrada. coisa que jamais prestaria atenção durante o barulho de mundo funcionando à luz do sol. não trazia nada consigo, apenas umas cigarrilhas, o isqueiro e uns trocados. apressou o passo e aproximou-se mais da rua para ter maior visibilidade da esquina que entraria. temia haver alguém ali escondido, assaltante ou algum bêbado... virou à esquerda e lhe bateu em todo o corpo um vento frio que lhe acariciou o rosto e os cabelos. passou as mãos nos fios castanhos alisados como aqueles que, fechando os olhos, sonhou estar afagando. dois segundos desencontrados depois, voltou. ela não estava ali. apenas o vento que trespassou pela saudade lhe acordando de um breve cochilo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

a fumaça


o silêncio de casa foi ocupado por aquela fumaça incômoda e densa de palavras, pensamentos e lembranças. ela lhe tirou o sono, a fome e a concentraçã em qualquer coisa que tentasse fazer. o tempo não passava. apenas a fumaça tomava conta de seu quarto. ao contrário de qualquer ato sensato vestiu a roupa que usou durante o dia e estava atirada sobre a cama, colocou um boné, prendeu os cabelos atrás, pegou alguns cigarros e o isqueiro que havia escondido e saiu noite a fora para uma caminhada. a cidade está tão morta que nem os bandidos andam na rua a essa hora. queria dissipar a fumaça. apesar do calor que a oprimiu no dia anterior hoje havia chovido e resfriado o dia. era isso. o frio a ajudaria. não colocou muita roupa propositalmente. caminhou, virou a esquina. nada de carros. nada de gente. certo fascínio por lugares públicos que tinha em si talvez a distraísse um pouco. talvez encontrasse alguém. o que não acreditava. talvez comprasse alguma bebida. o que também não acreditava. avenida. sinal verde. sinal amarelo. vermelho. para ninguém. apenas para si que andava a pé como habitualmente fazia. sentiu um pouco de medo, mas não deu valor algum para ele. quem carrega em si o que ela carrega não tem medo de nada. não por coragem, por não considerar nada de valor em si. sentia fome, mas era como se a fumaça tivesse em seu estômago também impedindo-lhe de sentir o gosto de qualquer coisa. seria apenas para preencher o lugar vazio. chegou numa praça e sentou no banco. somente mosquitos, algumas lâmpadas sujas emitiam luzes fracas e sequer prestou atenção se alguém passava. acendeu um dos cigarros amassados que havia trazido. tragou com força e achou desagradável o gosto do fumo. se sentiu sufocada. cuspiu. passou a mão no pescoço, nos olhos, nos seios pequenos. o rosto havia ficado gelado. queria expulsar uma fumaça com a outra. mas aquela que estava em sua casa não saía. havia fumaça até ali onde estava. havia começo, meio e fim naqueles bancos gelados. assim como o tempo que é soprado, se dissipa, porém ainda deixa um cheiro preso nas narinas e um gosto na língua.