sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A fase Paulo Coelho e o autógrafo



Há alguns dias ao assistir ao longa brasileiro “Não Pare na Pista”, lembrei que também tive a minha fase de leitura dos livros do Paulo Coelho. Não durou tempo suficiente para ler todos, mas passei algum tempo pegando emprestado e tirando na biblioteca alguns deles. O primeiro que li foi o “Veronika Decide Morrer” de 1998. Me ganhou pelo suspense e mais tarde pelo final surpreendente. Não sei se hoje, uns 10 anos depois ainda seria, mas partindo daí segui uma sequência que lembro com carinho como a fase da descoberta dos livros literários. Havia quase que um sabor de proibido porque os professores falavam mal e as igrejas “recomendavam não ler essas coisas esotéricas.” – na verdade até gostaria de saber quantos padres ou pastores chegaram a passar os olhos na orelha de uma edição do mago para poder achar alguma coisa.

Depois veio “Brida”, lançado em 1990, que me possibilitou ver que espiritualidade deve ser algo mais individual, cada um na sua busca e não por imposição dos outros. É provável que a narrativa nem trate disso, mas foi a leitura feita por mim na época.

Aí com o “O Alquimista”(1988), veio um banho de água fria. O título mais vendido do autor foi pra mim o mais sem graça e com final previsível como filmezinho de aventura Hollywoodiano. No entanto, não desisti. Encontrei “Na Margem do Rio Pietra Sentei e Chorei” (1994) o qual a melhor parte é o título para depois dar um salto para o lançamento daquele ano de 2006, “A Bruxa de Portobello”. Estilo epistolar com uma boa história, mas ainda muito distante do “Diário de Um Mago” de 87, que narra o trajeto de Coelho no caminho de Santiago de Compostela. Classificaria esse como o segundo melhor que li. Gostei dele. Talvez a história contada como um relato real e as receitas de rituais místicos tenham sido um estímulo sobre a busca pelo desconhecido.

Então minha despedida foi com “As Valkírias” (1992) quando a curiosidade sobre  a história da busca pelo anjo da guarda e sobre o pacto que ele e Raul tinham me levou a conclusão. Diferentemente de “Maktub”(1994) que devolvi sem ler.
Algo curioso sobre Paulo Coelho era o link do seu site “como faço para conseguir um autógrafo” que permitia um cadastro de seus leitores. Feito isso, uns dois meses depois recebi em casa um cartão com meu nome e uma mensagem assinada por ele. Óbvio que ele deveria ter uma pilha de cartões feitos por alguma secretária que os passava para apenar assinar. Mesmo assim, achei isso um ato de grande consideração com fãs e leitores. De qualquer forma ele tirava por mês ou por semana alguns minutos os autografando. Quão acessíveis hoje são alguns escritores ou blogueiros muito menos conhecidos?

 “Professor, o que o senhor acha do Paulo Coelho?” – Era a velha pergunta que assombrava as aulas de literatura nos cursos de Letras. Eram discussões sem fim. Hoje sem muita delonga eu responderia que o acesso a sua linguagem e aos livros é fácil. O sujeito vai a uma biblioteca pública ou a um sebo e encontra fileiras completas com as obras do companheiro do Raulzito.  Sobre ler ou não ler, pra mim o que importa é ler na tentativa de ter prazer com os livros e buscar ser um leitor cada vez melhor. Quem algum dia chegar aos clássicos, melhor ainda. O que não dá é ficar sem ler nada ou ficar falando mal dele à toa. Até porque ele já está com a vida feita e rico escrevendo o que gosta e não vai fazer diferença nenhuma o que os outros acham.

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