sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

o vento

retornava para casa de madrugada. as ruas estavam mudas e apenas  seus passos ecoavam em dupla desencontrada. coisa que jamais prestaria atenção durante o barulho de mundo funcionando à luz do sol. não trazia nada consigo, apenas umas cigarrilhas, o isqueiro e uns trocados. apressou o passo e aproximou-se mais da rua para ter maior visibilidade da esquina que entraria. temia haver alguém ali escondido, assaltante ou algum bêbado... virou à esquerda e lhe bateu em todo o corpo um vento frio que lhe acariciou o rosto e os cabelos. passou as mãos nos fios castanhos alisados como aqueles que, fechando os olhos, sonhou estar afagando. dois segundos desencontrados depois, voltou. ela não estava ali. apenas o vento que trespassou pela saudade lhe acordando de um breve cochilo.

Um comentário:

O faroleiro disse...

http://youtu.be/VYrCywgpXoE